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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Um Amigo está cético em relação com a política ...

... brasileira, e em esplêndido artigo mostra as razões do seu ceticismo . Veja a seguir : ' Ceticismo ' por José Padilha ...  artigo publicado  domingo passado em O Globo . Embora elogie o artigo não aceito integralmente sua opinião quanto  ao futuro do Brasil . Creio que vindo não sei de onde aparecerão novos políticos capazes de negociar entre si sem medo de contrariar ideologias . Já evoluímos bem depressa nesse assunto basta lembrar a observação feita à imprensa sobre a dificuldade de negociação que enfrentava o Presidente Temer com cuidados ideológicos das partes - queriam mais emprego sem beneficiar  os empresários em um momento em que o Estado à beira da 'falência' busca parcerias público / privadas ou simplesmente privatizações  ! Mas julgo imperioso agir sobre o colégio eleitoral para melhorar sua compreensão da realidade econômica do País . Isto para que esse dilema que ora ocorre no RJ NÃO  SE ESTENDA POR TODO O PAÍS ! Ele decorre da incompreensão dos eleitores da realidade do País, e da imposição de candidatos, pois a lei eleitoral não dá ao eleitor poder de rejeitar os candidatos apresentados ao seu discernimento ou o que seria melhor fazer, como em outros Países , a escolha de forma democratizada, com a participação eficaz do futuro eleitor . Cito acima que ocorre no RJ um dilema eleitoral que julgo trágico qual seja a escolha para a direção da nossa cidade entre um candidato que confessa ter sido como mostra o seu livro , no passado em sua juventude, um verdadeiro 'maluco beleza ' que se teria curado em sua passagem pelo Senado da República amadurecendo durante o período em que lá atuou  Ora se isso é possível tenho dúvidas mas ... o Presidente da casa Renan Calheiros a chamou de Hospício ...   é pode fazer sentido pois é em hospícios que se curam malucos ! Mas não creio nisso, e respeito o Senado que no episódio derrapou ... nada mais . Já a opção  se trata de um alucinado ideológico que promete descolado da realidade financeira da cidade. e dificilmente por seu carácter fanático/ideológico conseguirá aglutinar forças políticas e/ou econômicas em torno de si para poder governar - taí o dilema . Segue o precioso artigo mencionado para que após sua leitura o Amigo faça seu posicionamento face a assunto que julgo grave , até mais e bom discernimento .

Ceticismo ( Políticos que dizem dispor de modelo teórico ou ideológico capaz de balizar políticas de sucesso garantido estão mentindo ou equivocados )
por José Padilha
Link : Ceticismo

domingo, 25 de setembro de 2016

Dou a palavra à Gustavo Franco , excelente Economista ...

que no passado foi escorraçado pelo PT ... mas ,  felizmente para o Brasil , sobreviveu ! Ele em sua excelente coluna, pouco destacada pelo O Globo, nos dá uma revigorante informação que em meio à essa tempestade político/econômica que nos atinge veio a calhar . Com a palavra o economista ,

Nós é que deveríamos chorar !
Gustavo Franco


25/09/2016 4:30
A responsabilidade fiscal venceu
O equilíbrio fiscal entrou para o domínio do politicamente correto,
Veja no link :A responsabilidade fiscal venceu



Pois é , e a menina dançou ... mas nós ficamos com o encargo de reerguer nossa Nação . Não me sai da lembrança a imagem de uma mulher síria pedindo  "devolvam a nossa Nação " em meio à escombros e corpos de vítimas dos bombardeios criminosos . Deixo - os para que meditem a respeito ... até mais

                             

... para a importância da lei que busca impor programas ,limites e metas ora 
em andamento no Congresso . Ponhamos à parte disputas debilitantes que atrasam o desenvolvimento do País .

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Foi uma beleza mas ...

... passou ... devemos agora virar a página,e nos concentrar nos grandes problemas da nossa Pátria, nas áreas econômico/ financeira e social .Atenas também sediou uma Olimpíada, e foi muito aplaudida ... muitos ganharam verdadeiras fortunas - mas o cidadão Grego como ficou daí a algum tempo - no bagaço,segundo notícias que nos chegaram ! Nesses grandes eventos a alegria é, segundo creem,compensadora, mas a conta chega, e será tanto maior quanto a ilusão que esses eventos nos ajudarão a sair de nossa situação aflitiva .Atenas foi um sucesso, mas a Grécia que tem no Turismo um esteio de sua economia... afundou ! Nós então devemos por nossas barbas de molho, e focar com sabedoria em nossa problemática Nacional . No Senado Federal o primeiro lance será cumprido,e se a sabedoria dos nossos Senadores funcionar acima dos sentimentos de políticos pragmáticos, e mais na de cidadãos patrióticos a Anta que assumiu o poder Executivo por meio de Estelionato Eleitoral será devidamente despejada junto com sua cambada de maus brasileiros dando oportunidade a que se reconstrua nossa Nação em bases sustentáveis, e socialmente mais justas que no passado .Ha muito o que fazer mas certamente não é com múltiplos festejos que o conseguiremos, e sim focando primordialmente nossos problemas... e descobrindo em harmonia qual o caminho a seguir . Até mais .

sexta-feira, 18 de março de 2016

Muito se fala que a operação lava-jato ...

...ora em curso no nosso Pais guarda semelhança com outra chamada de "Mãos Limpas "levada a cabo tempos atrás na Itália . Foi na década de 90 e durou 2 anos ... de 1992 a 1994 ... tendo propiciado cerca de 2500 condenações que geraram muitos suicídios . Renovou os costumes políticos na Itália iniciando o que se chamou de 2da República. Foi apoiada de maneira firme pela população chegando assim a bom termo . Aqui a lava- jato tenta o mesmo ... chegar a bom termo ... mas começa a enfrentar oposição dos que se acostumaram a viver da corrupção se recusando a ser cidadãos de uma República vivendo num mundo seu com suas regras e impunes pela cumplicidade de governos complacentes . Tentamos no presente também nós chegar a bom termo vislumbrando o início do que seria a 3ra Republica quando começaríamos a vislumbrar os contornos da República proclamada por Deodoro . Recebi um pequeno videoclipe presente do Amigo Antônio Turano de ascendência Italiana mas brasileiro de grande patriotismo . Publico o vídeoclip nessa postagem para que saibam um pouco mais sobre essa fase da vida Italiana que inspirou essa nossa virada na vida política Nacional que se Deus quiser, e o povo continuar ajudando, chegará ao termo almejado por todos os cidadãos : renovação dos costumes políticos brasileiros . Segue o vídeoclip :


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

É de se lamentar a desconstrução da esquerda no Brasil ...

... por desonestidade moral e intelectual daqueles que se apoderaram do poder usando -a  para seus propósitos pessoais . Na época em que o Brizola governava ou se candidatava a governar o Rio  estive na Itália e lá ocorria eleiçào . A esquerda italiana se dividia entre sinceros que se apresentavam como Honestos e fuleiros que eram acusados pelos primeiros de Desonestos . Singular ... não ?  Por aqui creio que salvo honrosas exceções os segundos predominaram largamente dando depois de 12 anos no que está dando ! Lá houve uma operação semelhante à nossa lava-jato e afins , e eles se arranjaram . Um deles veio para cá, e se afundou na bagunça como pinto no lixo ... vocês devem saber de quem estou falando ! Será que ele nos trouxe espertise  de malfeitorias ! Bem o Sérgio foi até lá, e nos trouxe o antídoto  ... muito bom ! Mas é preciso, como ele bem disse , muito mais ... e esse muito mais começa por entender melhor  A desconstrução da esquerda brasileira para o que esse bom artigo escrito pelo Senador Cristovão Buarque é um excelente começo . Se estiver interessado o Amigo poderá usar o link acima e ler o artigo . . É um bom sinal que um político já conhecido , de esquerda, interessado na educação que constroi o conhecimento (principal fator do desenvolvimento moderno suplantando o capital financeiro e os recursos naturais )  , tenha feito tal análise , mudado de partido , e anunciado sua pretenção à se candidatar novamente à Presidência da República . Há políticos que sugerem seguir um caminho semelhante ... mas não são tào claros em suas explicações ... na verdade há pessoa que tem notoriedade mas tem  sido muito nebulosa na apresentaçao do que representa sua proposta . Outro personagem que se apresentou na mídia publicando um artigo técnico bastante objetivo,e portanto claro para o público eleitoral, foi o Paulo Nogueira Batista JR que no seu artigo Conciliação mostra ao eleitor do futuro presidente que o início do caminho não será tão fácil assim : será preciso base política consistente ! ... seja qual for a nuance da solução que se decidir adotar ! Então surge o ponto central da problemática da reconstrução do rumo da nossa economia : acertar na próxima eleição pondo no poder quem saiba onde quer chegar, e nos diga com clareza como pretende caminhar - UTOPIA podem gritar ... mas preocupantemente é esse sem dúvida o ponto central ! Para tanto , penso  ser preciso diminuir o peso do sindicalismo na condução da política Nacional  ... equipotencializando os cidadãos eleitores mormente após a mudança introduzida pelo STF... que aprovo... no financiamento de campanhas eleitorais . Preocúpa- me que haja mais liberdade no financiamento sindical, que dê ao cidadão mais poder de decisão para montar o Congresso que lhe aprouver . Há pesquisas de opinião pública que mostram profunda discordância entre as propostas de reforma aceitas pela cidadania, e as da preferência dos sindicatos, e seus servo partidos ! Essa dicotomia é antidemocrática ( e não sei se o STF a consideraria também inconstitucional como no caso do financiamento de campanhas ) e profundamente prejudicial ao Pais ... mas por outro lado imensamente conveniente ao projeto de poder desses servo partidos . Proponho que se cuide desse assunto para que nas próximas eleições ... se houver tal evento após essa lambança que vivenciamos terminar... ou no tempo marcado no calendário eleitoral... se a lambança continuar até lá, e nossa Nação resistir! Com essa proposta e muita esperança de ser compreendido fico com um abraço para os eleitores sinceros desse nosso Pais  , até mais .
Em 17/05/2016
REVISÃO 
Aproveitando a iniciativa da Amiga Raquel que aprovou o texto publicado no blog Movimento contra a corrupção : 

Cópia de sua publicação no fb : 

Movimento Contra Corrupção
O BRASIL VENCERÁ! FAÇA A SUA PARTE!
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Renato Velloso




























sexta-feira, 9 de outubro de 2015

GOA – uma cultura em vias de extinção, quem nos conta ...

... é minha Amiga Ana Paula Lavado uma portuguesa que Ama sua terra, e sua história, que inteligentemente valoriza ! Veja no link :Goa uma cultura em vias de extinção . Ana Paula provavelmente não estava pensando em nossa problemática mas sim na de Goa .Contudo nós devemos conhecer o que lá acontece, e nos precaver quanto à iniciativas não patrióticas desse governo . A identidade de uma Nação tem muito a ver com sua cultura e sendo assim, sua história e sua língua, são para ser considerados verdadeiros baluartes ,,, em fim tudo a ver com nossa cultura como um todo . Pensar em novo ordenamento histórico tem propósito em ambiente acadêmico ... nas escolas não . As escolas são o berço da cidadania, nas cabeças de nossos filhos, e em seus corações se forjará o futuro de nossa Nação . Os Goenses como conta o artigo pizaram na bola, e está dando no que vimos . Vamos ficar atentos aqui no nosso pedaço, e não permitir o que foi feito no MEC pelo Ministro Renato Janine que foi recentemente substituído pelo Mercadante .Vejam no link :História sem tempo . Isto foi levado a cabo sem consulta aos pais dos alunos ... ie à sociedade em geral . Sem debate em foros apropriados ... sem plebiscito como eles gostam quando lhes convém ! Agradecendo de coração à Amiga Ana  :
fico por aqui rogando aos que tem poder para agir que se ponham em campo , e impeçam mais esse estorvo à educação de nossos filhos ...  o que sem dúvida refletirá negativamente no Pais em que viverão , Até mais !

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A saga da Venina me traz à lembrança uma preocupação ... que constantemente...

... era manifestada pelo Sérgio Quintela , meu contemporâneo de EPUC, e um dos donos de Empresa em que trabalhei...:com o que ele denominava  "bom mocismo" .Como um dos donos da empresa ele, com justa razão, se preocupava com o dinheiro que nela tinha investido,  e naturalmente, com o tempo, e a  energia que nela empregava .Esse " bom mocismo" é uma praga sutil que se instalada na organização fragiliza o comportamento ético de seus funcionários levando certamente à prejuízos .Quando a empresa é privada, como no caso , o dono se preocupa com destino do seu patrimônio, e a combate . No caso da Petrobras, e outras da ambiência do Estado, dá - se o que a Venina vivenciou : o "bom mocismo "se instala, e cria ambiência para o pior ... o surgimento de "Camarilhas "que possibilitam a implantação de "quadrilhas "... estas sim letais ! As três em graus diferentes são prejudiciais sendo a última como disse letal ! O código de ética que vacina a empresa desses males é o mesmo tanto para a ambiência Privada como para a do Estado... a diferença colossal está em que na ambiência privada o dono está atento, e na do Estado ... nem sempre , ou ... quase nunca !Sem o combate sistemático ao  "bom mocismo" surgem as "camarilhas", e através delas se instalam, e operam as "quadrilhas" . A  Venina bem que tentou ... mas no ambiente de camarilha instalado pelo bom mocismo que sempre imperou na Petrobras, este alimentado por sentimentos corporativistas ,... foi  o mesmo que pregar no deserto ! E no caso, creio... mesmo que se ela tivesse saído para se queixar em  outras instâncias do Estado, daria no mesmo, pois bateria de frente com a quadrilha e / ou a indiferença típica dos atuais gerentes estatais do nosso atual governo ( de 12 anos para cá ) ... que até ministério de porteira fechada criou !!!!... o dono nem se lixa !... nos pagamos ! Não sei o que os juristas acham ... eles é que sabem ... mas eu penso, que a criação de instância privada do ministério publico, como creio haver nos USA , ajudaria bastante !... pelo menos no caso, a Venina teria para onde correr .
Parabéns menina valente , que Deus te ajude a mobilizar mais funcionários nessa sua atual cruzada !

 e, até mais !


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Sob o título de ''Veneno em Dose Dupla'' foi publicado no O Globo um ...

... artigo com  opinião bem lúcida do José Paulo Kupfer sobre a fase atual da nossa administração macro econômica, que poderão ler no link :Veneno em Dose Dupla 
Aproveitando a viagem ,faco comentários meus sobre o assunto : A mistura de ideologias embebendo os bestuntos de nossos formuladores de políticas econômicas tem certamente responsabilidade decisiva nessa mania de reinventar a roda que cega a nossa visão no que se refere à gestão da economia .Outros fatores são : o grau exagerado de fechamento da nossa economia , e o enorme peso do Estado como operador da economia .Gostei das opiniões do José Paulo que me levam a reconsiderar a opinião da Maria Sylvia Franco sobre a ingenuidade da Dilma ... em acreditar que o Capital Nacional privado seguiria seus instintos e apetites, e cairia na armadilha Lulo petista ..opinião da qual duvidei preferindo qualifica - la como visionária , e obstinada somente . Sem organização segura o capital não se candidata ... precisam ter certeza do retorno sem o que PT Saudações . Parece que a tal de esquerda que se aboletou no poder federal pensa que o lema "desorganização e inclusão " é o caminho para melhor distribuição de renda entre nós, e talvez até alhures . Por aqui deu -se que no vazio instalou - se "o crime organizado" no caso o de corrupção.Minha proposta é que Voltemos ao lema " Ordem e Progresso...", acrescentando " : ...com melhor distribuição de renda e inclusão social " ... fica melhor assim, pois poderemos melhor controlar a condução dos negócios do Estado, evitando o surgimento de crimes contra a economia popular como os de que estamos sendo vítimas . Mas no caminho está a atrapalhar a ideologização da política que cega os condutores da Vida Nacional fazendo com que sigam às tontas por caminhos tortuosos rumo à não sabem que destino .Muitos cidadãos já planejam sair do Pais pois não sabem onde estaremos daqui a alguns anos .É o fim da picada sermos cidadãos de um Pais como o nosso, e estarmos em tal confusão ... políticos de boas intenções : acordem ! Até mais , e feliz Natal !

Para você também Dilma !


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Dou a palavra à socióloga Maria Sylvia Franco que em seu artigo na revista Epoca ...



... lançou luz sobre muito do que tem acontecido entre nós de 1960 em diante . Data Vênia à uma pessoa mais preparada que eu , digo que na minha opinião a Dilma não é ingênua mas sim visionária, e como tal obstinada ... eu diria "uma anta "e o Lula ... deixa para lá ! No seu texto aprendi que o misterioso rumo que ela imprimiu à economia veio de uma escola chamada Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) e deduzi ... não sei se corretamente... que o Lula não seguiu o mesmo rumo pelo compromisso assumido com a tal carta aos brasileiros, ou coisa que o valha... condição que lhe foi imposta para receber o poder . Mas preparou o caminho para a sucessora . Entendi o que presumo ter ela se referido quando disse que ... " fizeram a sua parte" provavelmente seguindo planos internacionais da esquerda Caribenha levando o Pais à estagflação em que estamos . Se a conjuntura internacional pós bolha tivesse evoluído, segundo queriam,  a outra parte teria sido feita ... então tudo azul para eles. Porém não foi assim ... felizmente , creio eu ! Pois não consigo imaginar o que teria resultado de bom para nós ... ie , para " esse País " como ele se refere à nos ! Publico a entrevista , e deixo com vocês a tarefa de confirmar minhas suposições, ou tecer as suas ... mas a entrevista vale , especialmente no momento que vivemos para podermos melhor entender o que se passa no Pais em que vivemos, e talvez no mundo atual. E para aprendermos vez por todas que é inútil ficar acusando  mostrando desvios de conduta face à valores da nossa cultura, pois estes são por eles solenemente desprezados ... é enxugar gelo ! .Seguem o comentário de Marina Silva no facebook ,e a transcrição da entrevista . Boa leitura, e até mais .

Fala marina Silva 
:A socióloga Maria Sylvia Franco, que conviveu com os homens e ideias que resultariam no PT e no PSDB, alerta para uma distinção importante: quem passou a consumir mais não necessariamente passou a produzir mais.
Fala  Maria Sylvia Franco :
"Há um abismo entre Lula e a ingenuidade de Dilma", diz socióloga
A socióloga Maria Sylvia Franco conviveu com os homens e ideias que resultariam no PT e no PSDB e alerta para uma distinção importante: quem passou a consumir mais não necessariamente passou a produzir mais


A socióloga Maria Sylvia Franco em casa, em São Paulo. Ela gostaria que a relação dos políticos com os pobres fosse menos demagógica (Foto: Rogério Cassimiro)


O Brasil conheceu, nos anos 1960, uma geração de intelectuais que influenciaria o país pelas décadas seguintes. Na Universidade de São Paulo (USP), um grupo de estudos liderado pelo sociólogo marxista Florestan Fernandes – que viria a ser deputado federal pelo PT – impulsionou figuras como Fernando Henrique Cardoso, futuro presidente da República pelo PSDB. Entre eles estava a socióloga Maria Sylvia Franco, estudiosa das raízes da violência no Brasil. Sua obra "Homens livres na ordem escravocrata" tornou-se um clássico da sociologia brasileira. Maria Sylvia conversou com ÉPOCA sobre os dois grupos que disputam o poder no Brasil e alguns temas-chave para entender o cenário político.

ÉPOCA – A senhora escreveu, em 2013, que a presidente Dilma Rousseff errou ao acatar a cartilha de Lula e que paga um preço por isso. Mantém o diagnóstico?
Maria Sylvia – Tenho pena da Dilma. Há um abismo entre a grande esperteza de Lula e uma certa ingenuidade de Dilma. A presidente parece simpatizar com a escola econômica da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), da década de 1960. Um raciocínio mecanicista de manual de marxismo, que acredita que, se o Estado impulsiona a burguesia nacional, uma série de mudanças estruturais se encadeia automaticamente. Dilma fez isso: deu incentivo fiscal, abriu o crédito, reduziu taxas sobre automóveis. A burguesia vendeu muito. Investiram? Não. Colocaram o dinheiro no circuito financeiro por segurança. Não pensaram no coletivo um instante sequer. Quando acordarem, será tarde demais.

ÉPOCA – A senhora e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foram orientados por Florestan Fernandes, um dos maiores intelectuais marxistas do país. Em 1994, Florestan afirmou classificou como "perturbador" o rumo de FHC e do partido dele, o PSDB (Fernandes se referia à aproximação do PSDB, um partido com origem na centro-esquerda, de economistas liberais e do PFL, hoje DEM, partido de direita que reunia vários políticos que haviam apoiado a ditadura militar). A senhora, alguma vez, teve o mesmo sentimento?
Maria Sylvia – Quase não consegui defender minha tese porque ia contra Florestan e seus orientandos, Fernando Henrique e Octávio Ianni (sociólogo de esquerda, estudioso de desenvolvimento e desigualdade social). Não fosse graças a Antonio Candido e Sérgio Buarque de Holanda, o trabalho não viria a público. Fernando Henrique tirou 9,5 em sua tese. Eu tirei 10. Fernando Henrique foi, desde sempre, um político hábil e capaz. Mas tenho minhas dúvidas se algum dia foi marxista.

ÉPOCA – Por que a candidatura da ex-senadora Marina Silva, com a proposta de fundação de uma “nova política”, não foi para o segundo turno?
Maria Sylvia – A “nova política" é uma fórmula retórica. Era ilusão da parte de Marina acreditar na política fora do espectro da direita e da esquerda. Foi um milagre ela ter conseguido mais votos que em 2010, diante da campanha agressiva do PT. A campanha da presidente Dilma foi um grande desserviço para a cidadania. Tornou difícil os eleitores votarem com consciência e razão. O grande problema é que Marina precisaria refundar a esquerda no país. A esquerda brasileira está descaracterizada e a direita veio com toda força. O PSOL (cuja candidata à Presidência foi Luciana Genro) até tem boas pessoas e intenções. Mas tem apenas 1% dos votos. É possível que Marina tivesse a intenção de mudar esse sistema tradicional, o clássico sistema de favores. Talvez promovesse mesmo mudanças mais estruturais, tornando o contato com os mais pobres menos demagógico. Mas o problema é maior que nossas eleições. Enquanto não houver pleitos preliminares nos partidos, com consulta à militância de base, esse mesmo mandarinato continuará no poder. Dizem-se novos. Não sei onde.

ÉPOCA – Vivemos uma fase de baixa taxa de desemprego e alta do poder de compra. Para a senhora, como se explica a alta taxa de rejeição a Dilma Rousseff?
Maria Sylvia – Os itens que o senhor mencionou são parte do sistema forte de propaganda controlado pelo governo federal. Não é à toa que o principal ministro de Dilma se chama João Santana (coordenador de campanha de Dilma Rousseff). Dizem que uma nova classe média entrou no mercado de consumo graças à distribuição de renda. Essa é a maior distorção ideológica que podemos imaginar. Parte da confusão de dois critérios diferentes. Uma coisa é consumo, outra coisa é renda. A renda faz parte do PIB e está fundada no sistema produtivo. Só há distribuição de renda com reforma estrutural do sistema produtivo. Ninguém é contra o Bolsa Família. Mas não podemos negar que ele é, no máximo, um benefício, pago pelo assalariado. As pessoas têm, sim, geladeiras e carros novos, mas continuam morando em favelas. É possível consumir mais sem participar do processo produtivo.

ÉPOCA – O salário mínimo passou por ajustes consideráveis. Isso não eleva a renda?
Maria Sylvia – Sim, é verdade. Ainda assim, temos a questão do (baixo) investimento produtivo. Porque renda é o salário do trabalhador mais o ganho do proprietário. No capitalismo, se os lucros do proprietário ficam estagnados, o salário do trabalhador também não cresce. Hoje, o emprego pode até ser pleno no setor de serviços, mas com PIB abaixo de 1% é impossível que se sustente. A inflação durante o governo do PT foi baixa com relação aos anos anteriores ao Fernando Henrique Cardoso. Mas, nos últimos dois anos, disparou. Pesou em itens básicos como alimentação, vestuário e transporte. O custo de vida cresceu.

ÉPOCA – Seu livro também descreve o Brasil do século XIX como uma sociedade fundada na violência. Até hoje, e a despeito da queda na desigualdade social, continuamos um país violento. Como a senhora interpreta isso?
Maria Sylvia – Essa história romântica do homem cordial, criada por Sérgio Buarque de Holanda, é uma mitologia que dará muito trabalho para ser desconstruída. A violência vem de várias fontes nesse nosso mundo autoritário da propaganda. No passado, havia o senhor de escravos, mas agora temos, por exemplo, uma polícia violentíssima.
A Copa do Mundo foi um sucesso porque houve uma repressão fantástica. Em cada esquina, havia um policial vestido feito o (vilão de ficção científica) Darth Vader. Aliás, também se via violência dentro dos estádios. As pessoas estavam agredindo umas às outras quando se emocionavam com o hino, usando aquelas perucas, pintando seus rostos. Como alguém pode se submeter àquilo?

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Para um novo ano realmente diferente … | Rcav5's Blog

Para um novo ano realmente diferente … | Rcav5's Blog

A liberdade exige o exercício ativo e pleno da cidadania . Se agimos em um ambiente de fraternidade buscando  num esforço comum o bem de todos , construiremos um futuro melhor para a Humanidade !Feliz 2014 !

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Mensagem Natalina … | Rcav5's Blog

Mensagem Natalina … | Rcav5's Blog 

No Ano Litúrgico o período do Advento precede o nascimento de Jesus de Nazaré  o ´´ Deus Conosco ´´  ... celebremos com Alegria esse acontecimento  que se dará no coração daqueles que tem Fé !

sábado, 23 de novembro de 2013

O Professor que nunca havia reprovado um só aluno … | Rcav5's Blog

O Professor que nunca havia reprovado um só aluno … | Rcav5's Blog

Num momento em que políticas sociais descalibradas levam o Pais à uma encruzilhada na vida econômica meditar sobre o sentido prático dessa historinha vale para os eleitores de 2014 .

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Manifesto do Blog por um Brasil ...

... livre de corruptos . Acompanho os Amigos da Avaaz acrescentando que em seguida devemos partir para o voto facultativo em nosso sistema eleitoral . Segue transcricão do manifesto da Avaaz pelo fim do voto secreto nas votacões no Congresso Nacional :

O voto secreto acaba AGORA!

19/11: Há um ano e meio, nossa comunidade se uniu à luta pelo fim do voto secreto no Congresso. E agora estamos a apenas uma votação da transparência total em nossa política. Mas alguns senadores – liderados por Renan Calheiros – não querem isso. 

A batalha pelo fim do voto secreto no Senado está chegando ao seu ponto alto -- agora todas as atenções estão voltadas para a votação que acontecerá hoje à tarde no plenário. O resultado será decidido por uma margem mínima de votos e por isso a pressão pública pode fazer toda a diferença! 

Não vamos deixar que eles nos façam de palhaços - os números de telefone e dicas de o que dizer estão abaixo. Ligue agora para pôr fim ao sigilo no Senado - e, em seguida, envie uma mensagem no Facebook e Twitter:

Boa sorte para o povo do Brasil , até mais !

terça-feira, 9 de julho de 2013

Alguém está falando com autoridade ...

... e dizendo coisas que fazem sentido ! Parabéns por sua análise André ... ela é bem estruturada e convincente ! Eu a recebi do sempre Amigo F. Beauclair e me apresso em manda-la para a blogosfera para que assim fique à disposição de todos . Mas antes quero ressaltar pontos que julgo importantes para as cogitações de quantos se importam com os rumos que tomará nossa Nação daqui por diante . Eles estão sintetizados de forma magistral no trecho : '' No mundo todo, a população parece já ter intuído a exaustão do modelo consumista do século XX, mas ainda não encontrou nas esferas da política tradicional a capacidade de participar da formulação das alternativas. Apegada a fórmulas feitas, a política continua pautada pelos temas e objetivos de um mundo que não corresponde mais à realidade de hoje. As grandes propostas totalizantes já não fazem sentido. O nacionalismo, a obsessão com o crescimento material, a ênfase no consumo supérfluo, os grandes embates ideológicos, temas que dominaram a política nos últimos dois séculos, perderam importância. Hoje, o que importa são questões concretas, relativas ao cotidiano, questões de eficiência administrativa para garantir a qualidade de vida.'' . Mas leiam o artigo [por completo pois como disse o Beauclair : 

''Artigo notável, a melhor explicação que já vi sobre as passeatas recentes'' 

A seguir transcrevo o excelente artigo do André Lara Resende : 

O mal-estar contemporâneo (Artigo)
05/07/2013 - VALOR ECONÔMICO -SP - EU E FIM DE SEMANA 
Por André Lara Resende | Para o Valor, de São Paulo
Nenhuma liderança soube captar e expressar o mal-estar contemporâneo. Este é provavelmente o seu elemento novo: a internet viabiliza a mobilização antes que surjam as lideranças
Na tentativa de interpretar o protesto das ruas nas grandes cidades brasileiras, há uma natural tentação de fazer um paralelo com os movimentos similares nos países avançados, sobretudo da Europa, mas também nos EUA - Occupy Wall Street - assim como com os da chamada Primavera Árabe. As condições objetivas são, contudo, muito distintas. A Primavera Árabe é um fenômeno de países totalitários, onde não há representação democrática. Não é o caso do Brasil. Na Europa, sobretudo nos países mediterrâneos periféricos mais atingidos pelos efeitos da crise financeira de 2008, houve uma drástica piora das condições de vida. O desemprego, especialmente entre os jovens, subiu para níveis dramáticos. Mais uma vez, não é o caso do Brasil.
Nem os críticos mais radicais ousariam argumentar que o Brasil de hoje não se enquadra nos moldes das democracias representativas do século XX. Podem-se culpar os desacertos da política econômica nos últimos seis anos. Embora devam ficar mais evidentes daqui para a frente, os efeitos negativos da incompetência da política econômica só muito recentemente se fizeram sentir. Fato é que, desde a estabilização do processo inflacionário crônico, houve grandes avanços nas condições econômicas de vida dos brasileiros. Nos últimos 20 anos, houve ganho substancial de renda entre os mais pobres. Ao contrário do que ocorreu em outras partes do mundo, até mesmo nos países avançados, a distribuição de renda melhorou. O desemprego está em seu mínimo histórico.
É verdade que a inflação, especialmente a de alimentos, que se faz sentir mais intensamente pelos assalariados, está em alta. Por mais consciente que se seja em relação aos riscos, políticos e econômicos, da inflação, é difícil atribuir à inflação o papel de catalisadora do movimento das ruas nas últimas semanas. Só agora a taxa de inflação superou o teto da banda - excessivamente generosa, é verdade - da meta do Banco Central.
Os dois elementos tradicionais da insatisfação popular - dificuldades econômicas e falta de representação democrática - definitivamente não estão presentes no Brasil de hoje. Inflação, desemprego, autoritarismo e falta de liberdade de expressão não podem ser invocados para explicar a explosão popular. O fenômeno é, portanto, novo. Procurar interpretá-lo de acordo com os cânones do passado parece-me o caminho certo para não o compreender.
O movimento de maio de 1968 na França tem sido lembrado diante das manifestações das últimas semanas. O paralelo se justifica, pois maio de 68 é o paradigma do movimento sem causas claras nem objetivos bem definidos, uma combustão espontânea surpreendente, que ocorre em condições políticas e econômicas relativamente favoráveis. Movimento que, uma vez detonado, canaliza um sentimento de frustração difusa - um "malaise"- com o estado das coisas, com tudo e todos, com a vida em geral.
A novidade mais evidente em relação a maio de 68 na França é a internet e as redes sociais. Embora não tivesse expressão clara na vida pública francesa, a insatisfação difusa poderia ter sido diagnosticada, ao menos entre os universitários parisienses. No Brasil de hoje, a irritação difusa podia ser claramente percebida na internet e nas redes sociais. O movimento pelo passe livre fez com que este mal-estar transbordasse do virtual para a realidade das ruas. Tanto os universitários franceses de 68, quanto os internautas do Brasil de hoje, não representam exatamente o que se poderia chamar de as massas ou o povão, mas funcionam igualmente como sensores e catalisadores de frustrações comuns.
Quais as causas do mal-estar difuso no Brasil de hoje, que transbordou da internet para a realidade e levou a população às ruas?
Parecem ter dois eixos principais. O primeiro, e mais evidente, é uma crise de representação. A sociedade não se reconhece nos poderes constituídos - Executivo, Legislativo e Judiciário - em todas suas esferas. O segundo é que o projeto do Estado brasileiro não corresponde mais aos anseios da população. O projeto do Estado, e não do governo, é importante que se note, pois a questão transcende governos e oposições. Este hiato entre o projeto do Estado e a sociedade explica em grande parte a crise de representação.
O Estado brasileiro mantém-se preso a um projeto cuja formulação é do início da segunda metade do século passado. Um projeto que combina uma rede de proteção social com a industrialização forçada. A rede de proteção social inspirou-se nas reformas das economias capitalistas da Europa, entre as duas Grandes Guerras, reforçadas após a crise dos anos 1930. Foi introduzida no Brasil por Getúlio Vargas, para a organização do mercado de trabalho, baseado no modelo da Itália de Mussolini. A industrialização forçada através da substituição de importações, introduzida por Juscelino Kubitschek nos anos 1950, e reforçada pelo regime militar nos anos 1970, tem raízes mais autóctones. Suas origens intelectuais são o desenvolvimentismo latino-americano dos anos 1950, que defendia a ação direta do Estado, como empresário e planejador, para acelerar a industrialização.
Não nos interessa aqui fazer a análise crítica do projeto desenvolvimentista que, com altos e baixos, aos trancos e barrancos, cumpriu seu papel e levou o país às portas da modernidade neste início de século. Basta ressaltar que o desenvolvimentismo, em seus dois pilares - a industrialização forçada e a rede de proteção social - dependem da capacidade do Estado de extrair recursos da sociedade. Recursos que devem ser utilizados para financiar o investimento público e os benefícios da proteção social.
Diante da baixa taxa de poupança do setor privado e da precariedade da estrutura tributária do Estado, a inflação transferiu os recursos da sociedade para o Estado, até que nos anos 1980 viesse a se tornar completamente disfuncional. Com a inflação estabilizada, a partir do início dos anos 1990, o Estado se reorganizou para arrecadar por via fiscal também os recursos que extraía através do imposto inflacionário. A carga fiscal passou de menos de 15% da renda nacional, no início dos anos 1950, para em torno de 25%, nas décadas de 1970 a 90, até saltar para os atuais 36%, depois da estabilização da inflação. O Brasil tem hoje uma carga tributária comparável, ou mesmo superior, à das economias mais avançadas.
O projeto do PT no governo revelou-se flagrantemente retrógrado. É essencialmente a volta do nacional- desenvolvimentismo
Apesar de extrair da sociedade mais de um terço da renda nacional, o Estado perdeu a capacidade de realizar seu projeto. Não o consegue entregar porque, apesar de arrecadar 36% da renda nacional, investe menos de 7% do que arrecada, ou seja, menos de 3% da renda nacional. Para onde vão os outros 93% dos quase 40% da renda que extrai da sociedade? Parte, para a rede de proteção e assistência social, que se expandiu muito além do mercado de trabalho organizado, mas, sobretudo, para sua própria operação. O Estado brasileiro tornou-se um sorvedouro de recursos, cujo principal objetivo é financiar a si mesmo. Os sinais dessa situação estão tão evidentes, que não é preciso conhecer e analisar os números. O Executivo, com 39 ministérios ausentes e inoperantes; o Legislativo, do qual só se tem más notícias e frustrações; o Judiciário pomposo e exasperadoramente lento.
O Estado foi também incapaz de perceber que seu projeto não corresponde mais ao que deseja a sociedade. O modelo desenvolvimentista do século passado tinha dois pilares. Primeiro, a convicção de que a industrialização era o único caminho para escapar do subdesenvolvimento. Países de economia primário-exportadora nunca poderiam almejar alcançar o estágio de desenvolvimento das economias industrializadas. Segundo, a convicção de que o capitalismo moderno exige a intervenção do Estado em três dimensões: para estabilizar as crises cíclicas das economias de mercado; para prover uma rede de proteção social; e, no caso dos países subdesenvolvidos, para liderar o processo de industrialização acelerada. As duas primeiras dimensões da ação do Estado são parte do consenso formado depois da crise dos anos 1930. A terceira decorre do sucesso do planejamento central soviético em transformar uma economia agrária, semifeudal, numa potência industrial em poucas décadas. A proteção tarifária do mercado interno, com o objetivo de proteger a indústria nascente e promover a substituição de importações, completava o cardápio com um toque de nacionalismo.
O nacional- desenvolvimentismo, fermentado nos anos 1950, teve sua primeira formulação como plano de ação do governo na proposta de Roberto Simonsen. Embora sempre combatido pelos defensores mais radicais do liberalismo econômico, como Eugênio Gudin, autor de famosa polêmica com Roberto Simonsen, e posteriormente por Roberto Campos, foi adotado tanto pela esquerda, como pela direita. Seu período de maior sucesso foi justamente o do "milagre econômico" do regime militar.
Na década de 1980, a inflação se acelera e se torna definitivamente disfuncional. As sucessivas e fracassadas tentativas de estabilização passam a dominar o cenário econômico. Com a estabilização do real, a partir da segunda metade da década de 1990, ainda com algum constrangimento em reconhecer que o nacional-desenvolvimentismo já não fazia sentido num mundo integrado pela globalização, o país parecia estar em busca de novos rumos. A vitória do PT foi, sem dúvida, parte da expressão desse anseio de mudança.
Nos dois primeiros anos do governo Lula, a política econômica foi essencialmente pautada pela necessidade de acalmar os mercados financeiros, sempre conservadores, assustados com a perspectiva de uma virada radical à esquerda. A partir daí, o PT passou a pôr em prática o seu projeto. Um projeto muito diferente do que defendia enquanto oposição. O projeto do PT no governo, frustrando as expectativas dos que esperavam mudanças, muito mais do que o aparente continuísmo dos primeiros anos do governo Lula, revelou-se flagrantemente retrógrado. É essencialmente a volta do nacional-desenvolvimentismo, inspirado no período em este que foi mais bem-sucedido: durante regime militar. A crise internacional de 2008 serviu para que o governo abandonasse o temor de desagradar aos mercados financeiros e, sob pretexto de fazer política macroeconômica anticíclica, promovesse definitivamente a volta do nacional-desenvolvimentismo estatal.
O PT acrescentou dois elementos novos em relação ao projeto nacional-desenvolvimentista do regime militar: a ampliação da rede de proteção social, com o Bolsa Família, e o loteamento do Estado. A ampliação da rede de proteção social se justifica, tanto como uma inciativa capaz de romper o impasse da pobreza absoluta, em que, apesar dos avanços da economia, grande parte da população brasileira se via aprisionada, quanto como forma de manter um mínimo de coerência com seu discurso histórico. Já a lógica por trás do loteamento do Estado é puramente pragmática. Ao contrário do regime militar, que não precisava de alianças difusas, o PT utilizou o loteamento do Estado, em todas suas instâncias, como moeda de troca para compor uma ampla base de sustentação. Sem nenhum pudor ideológico, juntou o sindicalismo de suas raízes com o fisiologismo do que já foi chamado de Centrão, atualmente representado principalmente pelo PMDB, no qual se encontra toda sorte de homens públicos, que, independentemente de suas origens, perderam suas convicções ao longo da estrada e hoje são essencialmente cínicos.
Há ainda um terceiro elemento do projeto de poder do PT. Trata-se da eleição de uma parte do empresariado como aliada estratégica. Tais aliados têm acesso privilegiado ao crédito favorecido dos bancos públicos e, sobretudo, à boa vontade do governo, para crescerem, absorverem empresas em dificuldades, consolidarem suas posições oligopolísticas no mercado interno e se aventurarem internacionalmente como "campeões nacionais".
A combinação de um projeto anacrônico com o loteamento do Estado entre o sindicalismo e o fisiologismo político, ao contrário do pretendido, levou à sobrevalorização cambial e à desindustrialização. Só foi possível sustentar um crescimento econômico medíocre enquanto durou a alta dos preços dos produtos primários, puxados pela demanda da China. A ineficiência do Estado nas suas funções básicas - segurança, infraestrutura, saúde e educação - agravou-se significativamente. Ineficiência realçada pela redução da pobreza absoluta na população, que aumentou a demanda por serviços de qualidade.
A insatisfação difusa dos protestos pode vir a ser catalizadora de uma mudança profunda de rumo, que abra o caminho para um novo desenvolvimento (na foto, manifestantes sobem ao teto do Congresso)
Loteado e inadimplente em suas funções essenciais, enquanto absorvia parcela cada vez maior da renda nacional para sua própria operação, o Estado passou a ser visto como um ilegítimo expropriador de recursos. Não apenas incapaz de devolver à sociedade o mínimo que dele se espera, mas também um criador de dificuldades. A combinação de uma excessiva regulamentação de todas as esferas da vida, com a truculência e a arrogância de seus agentes, consolidou o estranhamento da sociedade. Em todas as suas esferas, o Estado deixou de ser percebido como um aliado, representativo e prestador de serviço. Passou a ser visto como um insaciável expropriador, cujo único objetivo é criar vantagens para os que dele fazem parte, enquanto impõe dificuldades e cria obrigações para o resto da população. O contraste da realidade com o ufanismo da propaganda oficial só agravou o estranhamento e consolidou o divórcio entre a população e os que deveriam ser seus representantes e servidores.
A insatisfação com a democracia representativa não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. As razões dessa insatisfação ainda não estão claras, mas é possível que o modelo de representação democrática, constituído há dois séculos para sociedades menores e mais homogêneas, tenha deixado de cumprir seu papel num mundo interligado de 7 bilhões de pessoas, e precise ser revisto. O debate público deslocou-se das esferas tradicionais da política para a internet e as redes sociais. Ameaçada pelo crescimento da internet e habituada ao seu papel de agente da política tradicional, a mídia não percebeu que o debate havia se deslocado.
No caso brasileiro, perplexa com sua aparente falta de repercussão e pressionada financeiramente pela competição da internet, uma parte da mídia desistiu do jornalismo de interesse público e passou a fazer um jornalismo de puro entretenimento. Mesmo os que resistiram, cederam, em maior ou menor escala, à lógica dos escândalos. Foram incapazes de compreender a razão da sua falta de repercussão, pois não se deram conta de que o público e o debate haviam se deslocado para a internet. Surpreendida pelo movimento de protestos, num primeiro momento, a mídia não foi capaz de avaliar a extensão da insatisfação. Transformou-se ela própria em alvo da irritação popular. Em seguida, aderiu sem convencer, sempre a reboque do debate e da mobilização através da internet. A favor da mídia, diga-se que ninguém foi capaz de captar a insatisfação latente antes da eclosão do movimento das ruas. As pesquisas apontavam, até muito recentemente, grande apoio à presidente da República, considerada praticamente imbatível, até mesmo por seus eventuais adversários nas próximas eleições. Nenhuma liderança soube captar e expressar o mal-estar contemporâneo. Este é provavelmente o seu elemento novo: a internet viabiliza a mobilização antes que surjam as lideranças. Tanto as possibilidades como os riscos são novos.
O projeto nacional-desenvolvimentista combina o consumismo das economias capitalistas avançadas com o produtivismo soviético. Ambos pressupõem que o crescimento material é o objetivo final da atividade humana. Aí está a essência de seu caráter anacrônico. Os avanços da informática permitiram a coleta de um volume extraordinário de evidências sobre a psicologia e os componentes do bem-estar. A relação entre renda e bem-estar só é claramente positiva até um nível relativamente baixo de renda, capaz de atender às necessidades básicas da vida. A partir daí, o aumento do bem-estar está associado ao que se pode chamar de qualidade de vida, cujos elementos fundamentais são o tempo com a família e os amigos, o sentido de comunidade e confiança nos concidadãos, a saúde e a ausência de estresse emocional.
Os estudos da moderna psicologia comprovam aquilo que de uma forma ou de outra, mais ou menos conscientemente, intuímos todos: nossa insaciabilidade de bens materiais advém do fato de que o bem-estar que nos trazem é efêmero. Para manter a sensação de bem-estar, precisamos de mais e novas aquisições. O consumismo material tem elementos parecidos com o do uso de substâncias entorpecentes que causam dependência física e psicológica.
No mundo todo, a população parece já ter intuído a exaustão do modelo consumista do século XX, mas ainda não encontrou nas esferas da política tradicional a capacidade de participar da formulação das alternativas. Apegada a fórmulas feitas, a política continua pautada pelos temas e objetivos de um mundo que não corresponde mais à realidade de hoje. As grandes propostas totalizantes já não fazem sentido. O nacionalismo, a obsessão com o crescimento material, a ênfase no consumo supérfluo, os grandes embates ideológicos, temas que dominaram a política nos últimos dois séculos, perderam importância. Hoje, o que importa são questões concretas, relativas ao cotidiano, questões de eficiência administrativa para garantir a qualidade de vida.
É significativo que os protestos no Brasil tenham começado com a reivindicação do passe livre nos transportes públicos urbanos. A questão da mobilidade nas grandes metrópoles é paradigmática da exaustão do modelo produtivista-consumista. A indústria automobilística foi o pilar da industrialização desenvolvimentista e o automóvel o símbolo supremo da aspiração consumista. O inferno do trânsito nas grandes cidades, que se agrava quanto mais bem-sucedido é o projeto desenvolvimentista, é a expressão máxima da completa inviabilidade de prosseguir sem uma revisão profunda de objetivos. Ao que parece, a sociedade intuiu a falência do projeto do século passado antes que o Estado e aqueles que deveriam representá-la - governo e oposição, Executivo, Legislativo e imprensa - tenham se dado conta de que hoje trabalham com objetivos anacrônicos.
A insatisfação difusa dos protestos pode vir a ser catalizadora de uma mudança profunda de rumo, que abra o caminho para um novo desenvolvimento, não mais baseado exclusivamente no crescimento do consumo material, mas na qualidade de vida. Para isso, é preciso que surjam lideranças capazes de exprimir, formular e executar o novo desenvolvimento.
André Lara Resende é economista. Este texto será apresentado na Festa Literária de Paraty (Flip), em debate com o filósofo Marcos Nobre, que ocorre neste sábado
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Penso que meditar sobre esses dois pontos a seguir é de extrema atualidade :

- Enquanto as ideologias ... ferramentas de destruição das estruturas antigas de poder...  não forem desativadas servirão somente para atrapalhar o progresso das Nações.
-Enquanto as economias não contemplarem as verdadeiras necessidades das pessoas não teremos progresso na paz social .
Até mais , e mais uma vez grato ao Amigo F. Beauclair










terça-feira, 2 de julho de 2013

Porque não contemplar a diversidade do território Nacional ...

... quando decidimos sobre o tipo de sistema eleitoral , e financiamento de campanhas ? A  preocupação com o possível enfraquecimento da Federação  não passa pelo tipo de sistema eleitoral , sequer pelo tipo de financiamento de campanhas . A diversidade do Território Nacional é um fato, e portanto pode, e deve ser contemplado, em decisões que implicam em custos, e dificuldades logísticas . A meu ver nada impede que se estude qual o sistema mais adequado a cada região em que o Pais fosse dividido .Acredito até que as dificuldades políticas sejam atenuadas atingindo -se melhor equilíbrio nos pleitos, e até mesmo maior representatividade dos eleitos... principalmente se proibirmos o uso da TV em campanhas pessoais... reservando esse recurso apenas para debates não ideológicos, e sem agressões entre os participantes . Creio até que o custo desse tempo de TV PODERIA SER BANCADO POR ANUNCIANTES . Quanto ao financiamento vejo como especialmente interessante o financiamento direto pelo eleitor via partido por coloca - lo como protagonista ativo das campanhas, e possível beneficiário... pois suas contribuições poderiam ser abatidas do seu IR.  E PORQUE ESSE TIPO DE FINANCIAMENTO fortaleceria os partidos, e os tornaria mais representativos do eleitor . Porém isso demandaria diminuir o peso da ideologia na política pois ela divide, e não acrescenta valor ao debate político sensato ...que visa o bem público, e não interesses particulares... muitas vezes de cunho estrangeiro .Estamos em um regime republicano assim devemos incentivar o eleitor a se comportar como cidadão e não como súdito de políticos de coração aristocrata . Para isso é necessário sua maior participação no processo de formação do poder contribuindo de várias formas além do voto... até mesmo a  monetária fruto do seu trabalho.A proibição da TV para campanhas pessoais poria o candidato mais próximo do eleitor aumentando o convívio mútuo como era em tempos idos .Fazendo -o visitar centros de atuação civil , e assim ser melhor conhecido e avaliado .O assunto é complexo, e merecia melhor destino do que esse de um apressado plebiscito em cima de perguntinhas arrumadas de afogadilho .Mas antes faze-la assim do que não agir pois o que rola atualmente não serve . Até mais .

sábado, 16 de março de 2013